quarta-feira, 4 de maio de 2011

Oficina - Verdades e Existências

Apresentação


Este projeto é fruto de um trabalho que vem sendo realizado por um grupo transdisciplinar de alunos de graduação e pós-graduação de diferentes cursos e universidades: psicologia social, serviço social, arquitetura, geografia e direito. Desde 2007, este grupo se reúne para debater temas contemporâneos apontam para transformações nos espaços coletivos e individuais e que estão intimamente relacionados à política nas suas práticas cotidianas.

Este núcleo agregador foi fundamental para a constatação de dois pontos centrais. O primeiro deles se refere à inquestionável relevância de discussões teóricas e conceituais para uma reflexão sobre os problemas atuais. Nesse sentido, nada melhor do que esta multiplicidade de olhares e de experiências. Nossa segunda constatação nos levou a refletir sobre o empobrecimento destas discussões quando restritas ao universo acadêmico. Se as teorias servem de instrumentos transformadores, a prática deve estar sempre presente e não mais como ponto a posteriori, como conseqüência do pensamento. Trata-se de modos que seguem unidos: fazer pensando, pensar agindo.

A oficina verdades e existências serão realizadas no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, em Santa Teresa. Este bairro é conhecido nacional e internacionalmente como uma região que historicamente abrigou artistas e intelectuais. Talvez estas oficinas possam abrir ainda mais as portas e janelas para que novas trocas – relativas ao conhecimento, à arte e aos afetos – sirvam de experiências capazes de transformar mundos e existências.



Metodologia

A oficina será dividida por módulos (cada módulo corresponde a um mês). A coordenação deste projeto irá propor os temas dos dois primeiros módulos (junho e julho), sendo que os seguintes serão determinados em conjunto com os participantes. Cada encontro será dividido em três partes.

A primeira parte, a ser realizada pela equipe coordenadora, será uma introdução ao tema proposto, com uma breve análise sobre os conceitos que serão apresentados na segunda etapa do encontro. Ainda nesta primeira etapa, um oficineiro(a) irá apresentar um “dispositivo” relativo ao tema, que poderá ser feito a partir de um texto ou ainda através de instrumentos áudio-visuais, jogos lúdicos, teatrais, etc. A cada encontro teremos um(a) convidado(a) que fará, nesta segunda etapa, uma apresentação mais específica sobre o tema. Ao final do encontro será realizado um debate para que as idéias ali trazidas possam ser dialogadas com os participantes.

Cabe à coordenação a seleção de textos e obras que serão distribuídas a cada participante no momento da inscrição e que servirão de base teórica para a discussão nos encontros. Aos interessados, serão entregues certificados de participação nas oficinas.

Para este primeiro módulo, o tema proposto foi Sujeitos, verdades e crimes. Este tema irá debater esta tensão presente no campo psi, analisando principalmente a relação que a psicologia estabelece com a noção de verdade (o dizer verdadeiro, a verdade e o corpo, a coragem da verdade). Em oposição ao termo verdade temos o erro e, com ele, suas diversas categorias semânticas: o falso, a ficção, a ilusão, a morte e o crime. No segundo encontro convidamos dois advogados que atuam na área criminal para aprofundarmos esta questão e para debatermos conceitos centrais ligados ao abolicionismo penal.

Como segundo módulo, pretendemos oferecer uma discussão que amplie esta tensão para os espaços das cidades contemporâneas, problematizando os ordenamentos e as classificações espaciais e sociais. Para isso debateremos temas ligados ao urbanismo e à arquitetura.



Módulo I: Sujeitos, verdades e crimes



Dia 4: A psicologia e o desvelamento das verdades

Introdução ao tema: Vera Schroeder.

Oficineiro: Cristiano Rodrigues.

Convidado: Antonio Carlos Cerezzo – Doutor em Psicologia Social pela USP, Psicólogo da Fundação Municipal de Saúde de Niterói.



Dia 18: A verdade nas cidades contemporâneas: a criminologia dos erros

Introdução ao tema: Vera Schroeder.

Oficineiro: Daniel Adolpho Daltin Assis – advogado do CEDECA, Interlagos (Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Interlagos).

Convidados: Daniel Adolpho Daltin Assis e Raul Carvalho Nin Ferreira – advogado e estudante de filosofia (USP) com experiência em movimentos sociais.



Resumo das atividades

Módulo I: Sujeitos, verdades e crimes

Aulas em junho, quinzenais.

Sábados, dias 4 e 18, das 15h às 18h

Local: Centro Cultural Laurinda Santos Lobo - rua Monte Alegre, 306 – Santa Teresa

Coordenação: Instituto de Estudos de Soma e NExA (Núcleo de Experimentações Anárquicas)

Apoio: Centro Cultural Laurinda Santos Lobo e CRP/RJ (Conselho Regional de Psicologia/Rio de Janeiro)

Inscrições gratuitas através dos endereços eletrônicos:

www.estudosdesoma.org

http://anarco-sabo.blogspot.com



Coordenação

Cristiano Rodrigues. Possui mestrado pela Universidade Federal Fluminense – UFF, com estudos voltados à psicologia clínica e social.

Emmanuel Vilas Boas. Geógrafo formado pela UFF e pós-graduado em Gestão Ambiental pela Gama Filho.

Felipe Nin. Graduando em Arquitetura, UFF.

Renata de Oliveira Santos. Atriz formada pela Escola de Teatro Martins Pena e graduanda em Serviço Social pela PUC-Rio. Coordenadora da Ong Terr’Ativa, que desenvolve trabalhos sociais com crianças e adolescentes no Morro do Fubá, Cascadura.

Vera Schroeder. Doutora em Psicologia Social pela UERJ/Université de Liège. Presidente do Instituto de Estudos de Soma.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Olha o Bloco de Ordem aí gente !!!

Na contramão da mercantilização do espaço público promovida pelo prefeito Eduardo Paes e pelo governador Sérgio Cabral, o Bloco de Ordem saiu durante o carnaval carioca pelas ruas do centro do Rio, sendo seguido por vários adeptos que facilmente aprendiam e cantavam as já (in)famosas (mistura de infames com famosas) marchinhas, satirizando as políticas (in)públicas (mistura de infames com públicas) de choque de ordem e das UPPs, reclamando com humor o direito de todos à cidade.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Bloco de Ordem - 2011


Veja aqui as novas marchinhas que o Sabô vai apresentar nesse carnaval!

Temos a honra de cantar as poesias que destilam a alegria de personagens cariocas infames como o nosso Inspetor Trovão, Dudu Meu Tudo e a Turma do Fuzil.


Máscara Negra
Quanto tiro, oh
quanta polícia
mais de mil barracos pelo chão
Governador cuida dos pobres para durante as Olimpíadas
não haver mais arrastão
Está acontecendo outra vez, está fazendo um ano, foi na eleição que passou
Eu sou aquele kaô, que te enganou, te despejou, meu amor
Na mesma máscara negra que cobre meu rosto
Eu vou te vigiar de verdade
Vou dominar-te agora, não me leve a mal, sou Sérgio Cabral


Mamãe eu quero!
Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero matar
Dá escopeta, dá escopeta, dá escopeta que eu quero é atirar
Eu sou do Bope, eu sou Caveirão
Vou invadir o Complexo do Alemão
Meto o pé na porta, se não abrir não tenho pena
Torturo, violento e ainda brilho no cinema.


Turma do Fuzil
Chegou a Turma do Fuzil
Todo mundo pede, mas ninguém agüenta o tranco
Há, há, há, há, mas ninguém agüenta o tranco
Invado a tua casa e é você que fica tonto
Eu mato sem compromisso
Missão Cumprida ninguém tem nada com isso
Aonde houver barraco eu sou sempre servil
Presente está a Turma do Fuzil


Carreira Branca
Carreira branca, amor
Eu vou cheirar
Sou da society e no Leblon eu vou comprar (refrão)
A boca do Alemão fechou
No Dona Marta não tem mais
Ligou, chegou
Lá no Leblon eu peço mais


Alalaô
Alalaô, ô, ô, ô...
Mas que kaô, ô, ô, ô...
Tava vendendo uns produto no Saara
A chapa tava quente e tomei tapa na cara

Levaram meus produto
E depois vieram me esculachar
Ah lá, ô lá, o rapa vai pegar
Corre dessa, camelô
Corre o rapa vai pegar
Eu quero trabalhar

Alalaô, ô, ô, ô...
Mas que kaô, ô, ô, ô...


Jardineira/Camelô
Ô camelô por que estás tão triste
Mas o que foi que te aconteceu?
Foi a guarda que passou no bairro
Levou a banca e me fudeu.

Vem camelô, vem vendedor
Não fique triste, o carnaval não é mais seu
Tu é muito mais bonito que o Dudu que te fudeu.


Se o rapa não chegar
Se o rapa não chegar, olé, olé, olá
Vou trabalhar (refrão)
Vende, vende, vende camelô
Vende aqui no bloco, meu amor

Tendo camelô sempre na pista
É bom pro carioca e pro turista
Vou tomar cerveja bem ligeiro
E ainda vou gastar com o pipoqueiro


Mulata-Eduardinho lá da Barra
Eduardinho lá da Barra, saiu com a novidade
E só da ela
Iê, iê, iê...
No asfalto e na favela
Choque de Ordem está
Cheio de fiu-fiu
Agrada os milico
Que vão pra puta que o pariu!



Além disso, temos o já famoso...
SAMBA-ENREDO DO BLOCO DE ORDEM

Dudu, meu tudo
saiu do armário
e resolveu chocar

Choque, choque, choque, choque de ordem
Omo na lagoa
e mangue com Bom Ar (refrão)

Eu sou da Barra e sou o tal
do Recreio à Lapa vai ficar tudo legal
o camelô vai vender água perrier
vinho importado, pro-secco e patê

refrão

Mas Dudu não esqueça dos sem-teto
faça viadutos e lhes dê um lugar certo
capacite os mendigos de Copa
MBA pros travecos da Glória

refrão

Muro, muralha e paredão
pobre também precisa de proteção
teleférico no Alemão e na Rocinha
até o Zé Pereira vai ter que entrar na linha

refrão...

domingo, 27 de setembro de 2009

Nossa homenagem ao Movimento Democrático


Esse cara resolveu prestar uma homenagem ao Clube Militar, aos milicos e a todos aqueles cidadãos retilíneos que prestaram grande serviço à Moral e às latrinas brasileiras.
O Movimento Democrático 31 de março foi outro dia. Eles nos anistiaram, mas nós não. E fazemos questão de lembrar quem são esses imbecis.

Nós cagamos pra vocês!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Margarida Bomba!!!


"Quinta-feira, 21 de agosto de 2009: uma ucraniana, ligada ao movimento feminista Femenn, porta um simulacro de bomba feito a partir de salsichas e de um relógio. Ela participa de uma manifestação em frente à embaixada Afegã de Kiev, na Ucrânia, contra uma nova lei afegã que dá permissão aos maridos de se recusarem a alimentar suas esposas caso elas recusem seus pedidos sexuais."

La Libre - Belgique - samedi 22 e dimanche 23 août 2009
Mensagem enviada por Margarida Bomba, correspondente sem fronteiras

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A Ordem do Choque

Se consultarmos o pai dos burros, também conhecido como dicionário,observamos vários significados para a palavra choque.

Choque pode ser encontro de dois corpos em movimento, assim como em uma batida entre carros, como o carro do Secretário Municipal de Ordem Pública, Rodrigo Bethlem, que segundo o jornal “O Globo” possui 11 multas não pagas enquanto fica estacionado em filas duplas pela cidade. Ou um choque entre trens, como o que aconteceu em Austin, Baixada Fluminense, em agosto de 2007, que matou oito pessoas, fato que não fez o Secretário de Transportes do Governador Sérgio Cabral, Júlio Lopes, deixar de no mesmo dia passear pela cidade com os inspetores da FIFA para Copa do Mundo, posando para as câmeras de televisão. Quantas vidas valem uma Copa do Mundo? E uma Olimpíada?

Choque pode ser também uma perturbação súbita do equilíbrio mental ou uma crise aguda de insuficiência cardiovascular... tudo muito de repente, muito rápido, sem tempo para reflexão.

- O paciente sofreu um choque anafilático na mesa de cirurgia – suas vias respiratórias fecharam e de súbito ele parou de respirar. O que fazer? Tudo, menos continuar a operação.

A definição mais comum de choque é a de “sensação produzida por uma descarga elétrica”, assim como a descarga elétrica produzida pelos bastões de choque que o prefeito Eduardo Paes pretende armar a Guarda Municipal do Rio de Janeiro, juntamente com um pacote de armas “não letais” que, segundo a Secretaria Especial da Ordem Pública, serão usadas para “conter situações de extrema necessidade, como tumultos provocados por ambulantes.” É... spray de pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Tudo isso nos faz lembrar de Buhuss Skinner. Skinner foi um psicólogo americano, ou estadunidense, como queiram. Skinner foi um dos precursores da chamada “psicologia comportamental”. Skinner trancava ratos em uma gaiola que ficou conhecida como “Caixa de Skinner”. Entre vários experimentos, Skinner colocava ratos sem alimentação durante dias dentro da gaiola. Na gaiola existia uma barra que se fosse apertada, o rato conseguia um pedaço de comida, mas levaria também um choque elétrico considerável.

- E aí rataria, vai morrer de fome ou vai morrer de choque? Não interessa como, o importante é que vocês morram, desapareçam.
Sem exagero, certamente é assim que pensa uma minoria de pessoas que são eleitas representantes pela maioria, nós estamos cansados de saber disso. Ou será que não?

Ou será que em troca de um bocado de comida e um choquezinho mais tranqüilo e moderado,um choquezinho “não letal” , deixamos ser governados, enquanto os esfomeados não apenas de comida, esfomeados também de arte, cultura, paixão, lazer, saúde, habitação, vida - revitalização de verdade,levam os choques de ordem da história: a cadeira elétrica, a terapia de choque nos manicômios, o açoites em praça pública da escravidão, os golpes da tropa de choque da polícia?

E assim vivemos em nossas gaiolas, nos muros dos condomínios, em volta das favelas, ou no meio da rua entre muros e grades, mas sem teto. Assim é a reforma urbana feita pelo interesse de especulação imobiliária, das grandes construtoras - nossas gaiolas de Skinner onde as pessoas são aprisionadas levando choques “não-letais” no dia-a-dia, choques controlados só pra modelar o comportamento, onde a vida do indivíduo se destrói sob o concreto armado. Armado por quem? Armado pra quem? Essa é a ordem do choque.

O anarquista francês Pierre Joseph Proudhon, em um discurso feito há quase 160 anos e com data de validade pros próximos 160 no mínimo, dizia que:

“Ser governado é ser guardado à vista, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, depositado, doutrinado, instituído, controlado, avaliado, apreciado, censurado, comandado por outros que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude.

Ser governado é ser, em cada operação, em cada transação, em cada movimento, notado, registrado, arrolado, tarifado, timbrado, medido, taxado, patenteado, licenciado, autorizado, apostilado, admoestado, estorvado, emendado, endireitado, corrigido.

É, sob pretexto de utilidade pública, e em nome do interesse geral: ser pedido emprestado, adestrado, espoliado, explorado, monopolizado, concussionado, pressionado, mistificado, roubado;

Depois, à menor resistência, à primeira palavra de queixa: reprimido, corrigido, vilipendiado, vexado, perseguido, injuriado, espancado, desarmado, estrangulado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, para não faltar nada, ridicularizado, zombado, ultrajado, desonrado.

Eis o governo, eis sua justiça, eis sua moral!

E dizer que há entre nós democratas que pretendem que o governo prevaleça; socialistas que sustentam esta ignomínia em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade; proletários que admitem sua candidatura à presidência! Hipocrisia!”


Depois de Proudhon não precisa dizer mais nada! E olha que foi há quase 160 anos...

PROUDHON, Pierre-Joseph. A propriedade é um roubo. L&PM Pocket. Porto Alegre. 1997, p.98-99.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Política de ordenamento territorial mais fascista que essa é difícil!
























Ao custo de R$ 40 milhões, o governo do Rio vai construir muros no entorno de 11 favelas. O objetivo, segundo o Estado, é conter a expansão das moradias irregulares em áreas de vegetação. Todas as áreas escolhidas, no entanto, cresceram abaixo da média em comparação às demais comunidades. O projeto, inicialmente, será implantado apenas na zona sul, área nobre da cidade.

Segundo o Instituto Pereira Passos (IPP), órgão municipal, a área ocupada por favelas na capital subiu 6,88% de 1999 para 2008. As favelas escolhidas para o projeto cresceram, somadas, 1,18% no período. No morro Dona Marta, onde o projeto está em andamento, houve redução do terreno ocupado de 0,99%. O levantamento é feito a partir de fotos aéreas e não faz contagem da população.


A iniciativa do governador Sérgio Cabral (PMDB) recebeu críticas do escritor português José Saramago.

"Cá para baixo, na Cidade Maravilhosa, a do samba e do Carnaval, a situação não está melhor. A ideia, agora, é rodear as favelas com um muro de cimento armado de três metros de altura. Tivemos o muro de Berlim, temos os muros da Palestina, agora os do Rio. Entretanto, o crime organizado campeia por toda parte, as cumplicidades verticais e horizontais penetram nos aparelhos de Estado e na sociedade em geral. A corrupção parece imbatível. Que fazer?", questionou o escritor português em seu blog.

É a mesma opinião de Itamar Silva, coordenador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas. "O muro separa, cria guetos. Vai na contramão da nossa luta de defender que favela faz parte da cidade."
O Estado afirma que o objetivo da medida é conter a expansão das favelas. Serão mais de 11 mil metros de muros de três metros de altura, ao custo previsto de R$ 40 milhões. As construções de uma creche, um hospital e dois centros de integração e cidadania na Rocinha (com restaurante e usina de reciclagem), por meio do Programa de Aceleração do Crescimento, custarão R$ 32 milhões.

Duas das favelas beneficiadas pelo PAC serão cercadas: Rocinha e Pavão-Pavãozinho. A primeira, em São Conrado, cresceu em nove anos 1,41%. Já a comunidade de Copacabana foi a que mais ampliou, proporcionalmente, a ocupação na zona sul: 4,76%. Mas, para o IPP, o maior crescimento proporcional foi na zona oeste (11,5%).

O presidente da Federação das Favelas, Rossino de Castro, afirmou ser contra a medida. Disse que líderes comunitários sentem medo de resistir ao projeto e que, com isso, suas comunidades sejam excluídas de projetos sociais do governo. "Ouvimos duas comunidades, a Babilônia e o Vidigal, que são contra. Mas eles têm receio de que, se não permitirem o muro, não levem os projetos para lá."

Para Marcia Hirota, diretora de gestão do conhecimento da SOS Mata Atlântica, um muro não é a melhor forma de evitar o avanço de construções irregulares sobre a mata. Para ela, a comunidade deve se envolver na proteção das áreas verdes.
O sociólogo Ignácio Cano diz suspeitar que "há um elemento de segurança pública no muro", escondido pelo governo para não aumentar a polêmica.


Outro lado
Presidente da Emop (empresa pública estadual responsável pelas obras nas favelas), Ícaro Moreno minimizou as críticas à construção dos muros. "O Saramago deu sua opinião e eu também posso dar a minha sobre o trabalho dele. Não vejo polêmica. Há uma aversão a muros, mas muros existem em casas, condomínios e linhas ferroviárias."

Ele diz que, apesar da estabilidade da ocupação de algumas favelas, é preciso evitar que os moradores ergam construções em áreas de risco. "A sociedade da zona sul e das comunidades apoia. O desmatamento é ruim para todos."

A iniciativa vai receber o apoio da Prefeitura do Rio, que cobrirá parte do gasto. Depois da zona sul, as amuradas devem ser construídas na zona norte.
O secretário municipal de Urbanismo do Rio, Sérgio Rabaça Moreira Dias, nega que a implantação de muros em favelas da zona sul seja uma forma apenas de isolar a pobreza. Segundo ele, o foco é ambiental."As barreiras estão orientadas pelas áreas de maior concentração [demográfica] e pela localização das áreas de risco e de preservação ambiental."

A construção dos muros também tem apoio do presidente da associação de moradores do Alto Gávea, Luiz Fernando Pena. Entre 1979 e 1982, a associação construiu um paredão de 550 metros que, diz ele, evitou que a Rocinha avançasse para o Leblon.
"É uma coisa favorável à qualidade de vida dos moradores da Rocinha, pois quanto maior o adensamento, piores as condições sanitárias. Não vejo segregação. A minha casa é murada e meu vizinho não se sente segregado."

Procurados pela reportagem, o governador Sérgio Cabral Filho e o vice-governador Luiz Fernando Pezão não quiseram comentar o assunto.


ITALO NOGUEIRAANDRÉ ZAHAR
da Folha de S.Paulo, no Rio

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Nos 45 anos do golpe, militares homenageam vítimas da guerrilha

Protestos aconteceram junto com as comemorações



















Duas manifestações a poucos metros uma da outra - uma de celebração, outra de repúdio - marcaram hoje (31) o aniversário de 45 anos do golpe de 64 no Rio. No Salão Nobre do Clube Militar, no quinto andar, mais de 200 militares, inclusive o chefe do Comando Militar do Leste, general Rui Catão, assistiram a palestra de elogio ao crescimento econômico do Brasil durante a ditadura e aplaudiram com entusiasmo a inauguração de placas com os nomes das 126 vítimas oficiais da guerrilha brasileira.

Lá embaixo, na porta da entidade, na Avenida Rio Branco, estudantes exigiram a abertura dos arquivos militares, onde estariam informações sobre os mais de 100 desaparecidos políticos no período, sob o olhar tenso de soldados da Polícia do Exército e da PM."O Brasil ia cair numa ditadura comunista sangrenta", disse o economista Ubiratan Iório. Ele apresentou gráficos e números para tentar demonstrar que, de 1964 a 2008, o Brasil teve seus melhores índices de crescimento no período 64-85, quando foi governado pelos militares. O economista comparou o período anterior ao golpe com o presente. "Não era muito diferente do que é hoje, guardadas as devidas proporções", provocou.

O presidente do Clube Militar, general Gilberto Figueiredo, responsabilizou a esquerda armada pelo prolongamento do regime autoritário. "O mandato do presidente Costa e Silva (1967-69) muito provavelmente teria sido o último do ciclo cívico militar de 64, não fosse a explosão da violência comunista", afirmou. "O grande serviço da guerra revolucionária desencadeada insensatamente no Brasil foi o de ter retardado a restauração da democracia plena em nosso País." As placas foram descerradas por Figueiredo, pelo presidente do Clube de Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, e pelo vice-presidente do Clube Naval, Luiz Fernando Portela Peixoto. Elas são idênticas e ficarão nas sedes das entidades, em pontos de destaque."O Brasil jamais será Cuba!", bradou o brigadeiro que, como os colegas que representavam os outros clubes no ato, é oficial da reserva.

O general Catão, sentado na primeira fila, foi evasivo e não quis comentar nem a palestra sobre a economia durante o período da ditadura. " A avaliação foi feita pelo palestrante. Viemos aqui para aprender", esquivou-se. Quando lhe perguntaram sobre a inauguração das placas, voltou a evitar comentários. "Vim assistir à palestra. O tema da palestra é o desenvolvimento econômico. A homenagem é iniciativa dos clubes. Não tem nada a ver com a palestra." Assim como ele, outros militares da ativa do Exército compareceram ao ato. Depois da solenidade, um coquetel, com cerveja e salgadinhos, foi servido aos participantes no próprio Salão Nobre, que é dominado por uma pintura representando a Proclamação da Independência por D. Pedro I.


Protestos - Lá embaixo, o ambiente era outro. Antes da solenidade, de jovens do autodenominado 'Coletivo de Sabotagens Libertárias', maquiados como torturados, recepcionaram os militares com megafone, no qual uma das ativistas citava os nomes de mortos durante o regime militar, e tambor. "Não somos nenhuma entidade, não somos ligados a nada", disse uma jovem que se identificou apenas como Fernanda.

Mais tarde, na saída, houve tensão quando estudantes liderados pela União Estadual de Estudantes (UEE) e da União da Juventude Socialista (UJS) gritaram palavras de ordem como "Que m.../vaso ruim não quebra". "Tarda mas não falha/aqui está a juventude do Araguaia" e "Abram os arquivos/porcos assassinos". Como no Salão Nobre, os manifestantes cantaram o Hino Nacional."A gente ficou sabendo anteontem pela internet da comemoração da gloriosa Revolução de 64", ironizou o presidente da UEE-RJ, Daniel Iliescu. "Ontem, também pela internet, a coisa ganhou vulto, e organizamos esta atividade." Apesar das provocações, além de um breve bate-boca, não houve nada mais sério. Na calçada, os estudante deixaram uma pichação: "Festa dos assassinos".


Fonte: Agência Estado

terça-feira, 31 de março de 2009

Nós estamos vivos!




Vítima do Esquadrão da Mortes.l.d. Acervo Última Hora - AESP


Mas aqueles que os militares querem esquecer e apagar da história, apesar de não terem sido convidados, se fazem presentes!